quinta-feira, 4 de outubro de 2007

Desabafo por Elisabete Vasconcellos


Desabafo

Meus suspiros são desatinados
Você, como um samurai, mede cada movimento
Inteligência emocional?
Nenhum passo a mais
Sequer enterramos os badulaques e as cartas para o futuro
Atravessei o deserto
E onde está você?
Seja em Copacabana, Moema ou Japão
Vou ao seu encontro
Seja na Vila Rica, na Liberdade ou no Drão...

quinta-feira, 27 de setembro de 2007

Medo de ser feliz por Elisabete Vasconcellos


Medo de ser feliz

Porque é tão fechado e tão misterioso,
me dá vontade
Não parece estratégia...
Porque é desse jeito,
parece que se faz infeliz
Não me deixou provar um pouco desse bom que você tem
Porque não se aventura e não se joga em mim,
me dá coragem
Não me parece que não queira...
Porque é tão contido e sempre tão suave,
fico querendo te encorajar
Porque não ousa,
me dá canseira
e ficamos sem saber se ainda lembramos um do outro...

sexta-feira, 21 de setembro de 2007

Fotografias por Leonardo Baleiro




Fotografias

Aluguei a barriga de mamãe por nove meses
Foram chutinhos e sonhos e medos
Afinal não sabia o que me esperava lá fora
Quando acordei foi de susto
Luzes brancas por todos os lados
Vozes macias,colinhos desconhecidos
Noite e dia,leite quentinho,carinhos,enfim
Nasci em Fortaleza ou Salvador,não sei
fortaleza de cuidados ou salvador de almas mil
Nada era o que eu compreendia
Mamãe,papai,vovô,vovó
Palavras tantas,solidão viva
Me chamaram Cilla,depois Soninha,depois Malu,depois Juliana
Me confundiram a cabeça
Hoje,já crescida,me alistei no exército da Alegria
Já não me importava meu nome e sim,meus gestos
Já não me importa a dor,a solidão
Ermitã da esperança,freira da paixão,amiga da compaixão
Terminei o colegial dos mares,entrei na faculdade poesia
Fiz mestrado de artes altruístas
Acabei doutora de adornos fotográficos
Fotocarinho e fotoesperança
A fome de muitos me assusta
A doença de outros tantos me apavora
Me consolo com amigas
Cilla professora de paixões intensas e da justiça
Soninha de sorrisos imensos e alegrias outroras
Malu dos sonhos e da natureza e de tudo que seja lírico
Juliana da magia,do arco-íris e das artes duplas da vida
Engraçado,já não sei quem sou
Mas sei o que tenho
Solidão já era,vou nessa crianças,oceanos me esperam.

terça-feira, 18 de setembro de 2007

Meu clã por Elisabete Vasconcellos


Meu clã

Viagem à vista!
Reencontro
Dinda e Linda
Duda e Dinda
Gênios fortes
Mulheres corajosas, filhas de outras mais corajosas ainda
Somos da casa das oito mulheres
Guerreiras
Onde tudo é paixão e o morno não tem vez
Acreditamos em sonhos e até em reza pra ‘mau olhado’
Nos amamos intensamente
Controladoras
Éramos o orgulho do patriarca até que chegou um valete pra mudar o nosso clã
Nos rendemos
Ele é sereno e com certeza tem uma missão
Deve ser mudar nossos gênios cálidos
Ou acalmar nossos ímpetos desmedidos
Sê bem vindo rapaz, bons ventos o tragam!
Aguardávamos a sua chegada
Vem valente porque precisamos da sua pureza
Não esconda os seus sentimentos
Faz jus ao seu nome protetor
Aprenda conosco, mas nem tudo...

sábado, 8 de setembro de 2007

Sonhei por Elisabete Vasconcellos

Sonhei


Pele macia
Dedos mágicos
Tanto silêncio... no crepitar do fogo da lareira
Chuva caindo
Tantos suspiros
Tanto mistério
Parecia sorte, tudo parecia melhor
Dava pra acreditar, me dei uma chance
Melodia boa
Sonho real
Nenhuma promessa
Expectativas boas
Vivendo um minuto de cada vez
Risos...as duas últimas frases não combinam!
Pele macia...

segunda-feira, 3 de setembro de 2007

O último dia ( um ano depois...) por Elisabete Vasconcellos

O último dia ( um ano depois...)

Hora de voltar pra casa.
Tudo parecia corrido, me sentia lutando contra o tempo, sorria pra disfarçar.
Quem será que vai beber aquele vinho que você tanto quis deixar por lá, pra confirmar a nossa volta?
Tudo parecia real, inclusive você.
Pedrinho, o cachorro de três patas, nos cercava como se pressentisse a partida.
Aquele esconderijo foi especialmente mágico.
Adeus Pedrinho, queremos revê-lo!
Almoço tenso. Parecia a Finlândia.
Despedida.
Desde então, um ano se foi.
Djavaneando:...”mais fácil aprender japonês em braille”, do que entender o que aconteceu.
Saudade.
Nunca vou esquecer do seu olhos. Também...né?

sábado, 1 de setembro de 2007

JUNTANDO AS LEMBRANÇAS por Elisabete Vasconcellos

JUNTANDO AS LEMBRANÇAS

Fiz a minha parte. Percorri todos aqueles quilômetros, admirei cada um deles e pratiquei a paciência até a hora do reencontro.

Ao te ver, quanta alegria! Eu nem disfarçava. Seguíamos rumo à cidade santuário, onde nos conhecemos e passamos a nos reencontrar. Lá estava ‘ela’. Especial. Parecia intacta. Tinha pouco e era muito.

Subindo e descendo ladeira, lá íamos nós checar se estava tudo no lugar: a igreja, o relógio de sol, a doceria e tudo aquilo que considerávamos importante. Se faltava alguém no seu posto, queríamos saber direitinho o que tinha acontecido com aquele personagem do nosso cenário.

Depois do check list , íamos explorar as cachoeiras e vistas da Bocaina em busca de pretextos para continuarmos juntos. Adorava quando você parava na estrada pra deixar eu tirar a foto que me ‘dava na telha’. Não escapavam cavalo, vaca ou galinha.

Trocávamos tantos mimos, risos e olhares...

Hoje, exatamente um ano após o último reencontro, já não te procuro por onde passo. Já não espero mais surpresas. Perdemos o último festival de inverno. Me lembro cada detalhe daquele: sopa, fondue, vinho quente, Moisés, shitake, reflexo no cabelo, cães inteligentes, céu estrelado...muita coisa.

Mergulhei na MPB para embalar a saudade.

Essa semana, quando atendi o telefone e ouvi a sua voz nítida, me assustei, não acreditei... era um sonho.

sábado, 25 de agosto de 2007

Para todos os que nos fazem sorrir,dia e noite - O Sorriso por Leonardo Baleiro

O Sorriso

Uma linha no horizonte
Uma palavra em minha fronte
Uma vírgula nos regula
O final da frase é só sorriso.


O sorriso é um riso
Riso é religião
Religião é Deus
Seu sorriso é divindade.


Sua imagem se reflete
Na água transparente
Seu sorriso se repete
Repete um riso incandescente.


Indecente um só riso
Sexo termina em riso
Riso é o sexo do sorriso
Amor termina em tudo isso.


Amor é acorde
Sibemol do sorriso
Um riso violão
Vira sorriso de paixão.


Uma criança num sorriso
Sorriso de criança
Meu restinho de esperança
De voltar o riso a ser criança.

Quanto mais infantil o sorriso
Mais servil o riso do sorriso
Quanto mais amor houver nisso
O teu beijo é o riso do meu sorriso.

Sou eu por Leonardo Baleiro

Sou eu

Sou eu quem me faço rua para ser seu sol rabiscado por giz
Sou eu quem me faço praia para ser teu I love you riscado na areia
Sou eu quem me faço autêntico sem precisar do moderno
Sou eu quem me jogo em tinta para ficar seu Picasso
Sou eu quem me faço letras para ser sua Hilda Hilst
Sou eu quem se torna água doce para virar Catarata

Sou eu quem se afoga no amor para ser um soneto de Vinicíus
Sou eu quem me faço chocolate para você se lambuzar
Sou eu que sou seu devoto para você se tornar santa
Sou eu quem sei quem sou para saber que você vai gostar
E sou eu quem me faço alegria para você não ter que chorar
Sou eu tudo isso e mais um tiquinho para você ter por quem se apaixonar.

domingo, 19 de agosto de 2007

Saudades por Leonardo Baleiro

Saudades

Sempre me atenho ao que não tenho,
Não sei se por ignorância ou destino,
Nem sei se é teimosia ou desatino,
Sei só,e por só saber já não o sei mais.

Quem tudo quer nada tem,mas tem o quê aqueles que nada querem?
Tem-se a luz onde só há sombras?
Tem-se a rosa onde só há espinhos?
Tem-se a poesia onde não há palavras?

Tem-se sim a dor,partido dos que acham tudo ter
Tem-se o penar,conjugado pelos que julgam
A todos e a si próprio,culpa e
Tem-se o escárnio,escola dos que muito falam sem nada a dizer.

Sei onde o sol se faz mais sol,
Sei onde o mar se faz mais mar,
Sei onde o abraço se faz mais abraço,
Sei onde o amigo se faz amante.

Sei tudo sendo nada,onde o nada se faz lição de vida,
Sei onde a pomba fez morada,onde os humildes fizeram casa
Sei onde Noé construiu sua arca,onde o cenário se faz vida e
Sei,sem saber,e sem precisar saber,onde você se fez amada,

Saudades,saudades,saudades...